
Por Thomaz Antonio Barbosa
Em meio a um processo eleitoral dominado completa e quase absolutamente pelas redes sociais, as manifestações de rua em favor de Lula têm se mostrado capazes de influenciar a virada de votos no segundo turno das eleições de 2026 para presidente do Brasil. Em um tempo em que o horário eleitoral não decide quase mais nada, e o debate na TV, pouco, essas ferramentas digitais circulam da zero hora de hoje à meia-noite de amanhã nos bolsos, nos braços e nas alcovas da família brasileira.
Nesse cenário, Flávio Bolsonaro joga em casa. Ele herdou a máquina de 2018, profissionalizou-a, tem frequência, tem fake news, tem raiva e tem o algoritmo a favor, porque entrega exatamente a vitamina de que as redes sociais se alimentam: retenção e reação. Porém, ele não consegue fabricar rua. Esta, todavia, é capaz produzir algoritmo, dados e ingerência no sistema de forças e de poder. Portanto, a passeata virou estúdio, com personagens reais, sem IA, sem farsa e com credibilidade.
Sabiamente, Lula, que não joga em casa no digital, reinventou a roda, chamou o povo para sair de casa, e a rua rapidamente mudou sua função — não é mais o fim, é o meio. Deixou de ser o recado para ser a decisão; furou a bolha da inevitabilidade, pondo fim a essa conversa de que a ascensão da extrema-direita na América Latina é inevitável, assim como a derrocada da esquerda. Dando o ponto de partida para a virada, encantou, emocionou e, paradoxalmente, em um pleito dominado absolutamente pelas tecnologias, é a simbiose da praça com o povo — alimentando o cenário digital — que está determinando o destino do pleito.
A rua não é lenda, é fato. Sobretudo, quando aparece uma avenida lotada para Lula em Manaus, uma praça e o Teatro Amazonas mostrados em um vídeo tremido, com gente cantando e balançando bandeira, isso grita para o algoritmo: “tem disputa”. E enquanto a extrema-direita produz fake news para mobilizar pela raiva, a rua é prova de vida e, desse modo, está tirando gente de casa no domingo, na segunda, na terça, enfim, para se emocionar no ambiente coletivo em busca de uma mudança, que é, nada mais, do que a permanência da democracia brasileira.
Lula nunca venceu eleição sem rua; a diferença, em 2026, é que ela começa na praça e termina no feed. É preciso entender definitivamente que cada ato é uma gravação para alimentar o celular do Brasil profundo por 72 horas. Assim, o asfalto vira algoritmo, vira voto e decide a eleição.
Agora é ocupar espaços, esquinas, praças, feiras e mercados; sair do centro e marchar para a periferia, encher a rua e produzir conteúdo digital, atacando por todas as frentes. É na periferia que está a dona Maria, do gás do povo; a dona Joana, do Bolsa Família; as construções do Minha Casa, Minha Vida; o colegial que recebe o Pé-de-Meia; o estudante universitário, a massa — a materialidade do discurso.
A hora é decisiva, de enfrentamento público, de reconquista de um espaço para a permanência da soberania nacional e da dignidade plena, essencialmente embalados pela força e pela emoção da juventude de volta à praça, em meio ao povo, a um lugar que é seu e que eu referendo. Temos as “armas” de sempre e, com elas, vamos nos apoderar das do inimigo, uma receita infalível guerrear.
A rua é real, não propaganda; é pulso, consumo, compartilhamento. Não há IA que resista quando cada pessoa se transforma em um estúdio. A eleição de agora é isso, imagem, Facebook, Instagram, Threads, TikTok, WhatsApp, ação imediata, contundente e conclusiva. E quem quer virar voto acorda mais cedo, pega o telefone celular, vai ao encontro do povo, segue o cordão do Lula, faz-se estrela nesse universo midiático e alimenta o feed.