

Por Thomaz Antonio Barbosa
A enorme massa de migrantes em Manaus, sobretudo venezuelanos e haitianos, lamenta não poder votar nas eleições de hoje (15/11). O assunto acerca da cidadania completa é uma longa discussão, mas em linhas gerais, no Brasil o voto é obrigatório para quem tem idade entre 18 e 70 anos, facultativo para analfabetos e jovens com idade entre 16 e 18.
No caso de estrangeiros, é possível votar nas eleições municipais, somente os residentes no Brasil por quinze anos ininterruptos, sem condenação, e que requeiram a naturalização. Sendo ele originário de país de língua portuguesa, pode se naturalizar os residentes com um ano ininterrupto, e idoneidade moral.

Para o venezuelano José Ramon Garcia, que mora em Manaus desde 2016, o voto seria fundamental para que ele tivesse acesso aos programas habitacionais brasileiros, pois votando no Brasil os políticos olhariam para suas necessidades, onde a sua principal é a casa própria.
Jasmim Felix, haitiano, acha importante participar da vida pública do país, haja vista. está em Manaus há mais cinco anos e gostaria de poder exercer o direito de votar, mas também esbarra na naturalização. O voto seria uma forma de lhe dar os direitos fundamentais que necessita para trabalhar e viver com dignidade no Amazonas.

Angela Serrano, venezuelana, que está em Manaus desde 2018, também lamenta não poder votar, ela disse que:
“Eu gostaria de votar no Brasil para poder diminuir a burocracia para conseguir um trabalho, reconhecer nossos diplomas universitários. Os estrangeiros vão para um país porque querem trabalhar nele, gerar riquezas. Aqui nós ganhamos muito pouco em relação aos outros. Eles falam que os direitos são iguais, mas a realidade da vida não é assim não. Temos estudo e estamos vendendo café, água, bolo, apesar de terem brasileiros assim também. Todavia quando a gente tem o direito de votar a coisa se modifica”.
Angela Serrano, enfermeira venezuelana.
Manaus abriga fluxos migratórios internos e externos desde a sua fundação. Já foram os espanhóis, portugueses, ingleses, árabes, franceses, japoneses e brasileiros de todas as regiões. Hoje as maiores massas a chegar à capital do Amazonas são de venezuelanos e haitianos.
Imagem da capa: Nelson Almeida / AFP