

Thomaz Antonio Barbosa
Quem esteve nesse sábado, 03, na Praça da Saudade, em Manaus, viveu um dos momentos mais significativos do período pandêmico e da cena política brasileira.
De repente as velas acesas começaram a iluminar o chão da praça. Abrandaram-se os sons dos microfones, da buzina dos carros, dos bares, das pessoas entusiasmadas.
Quem não tinha lagrimas nos olhos, sentia entalar a garganta, quem não tinha uma faixa ou um cartaz nas mãos, trazia consigo a angústia no peito. A sensação era de silêncio, mas era dor que imperava.
Em plena tarde de protestos contra o governo Bolsonaro a Praça chorou de dor e disse o nome dos seus mortos. O movimento #3jforabolsonaro, em Manaus, prestou uma das mais belas homenagem às vítimas da Covid-19.
Minutos depois quando as lágrimas da multidão já eram contidas e as recolhiam-se as bandeiras, encontrei Mary Andrade, advogada, com os olhos marejados e a ternura juvenil de quem dedicou a vida a lutar:
– Eu me emocionei, disse ela.
Sua voz era como se reproduzisse o eco de todas as vozes da praça!