Conversa com Thomaz

SUFRAMA, agora é a vez dos trabalhadores!

Por Thomaz Antonio Barbosa

Em quase 56 anos de existência a SUFRAMA, que ganha vida no decreto 288, de 28 de fevereiro de 1967, nunca foi administrada por alguém oriundo do chão de fábrica do Polo Industrial de Manaus ou por indicação de entidades da representação dos trabalhadores da ZFM, diga-se sindicatos ou centrais sindicais.

Nesses anos todos o capital intelectual dos amazonenses foi qualificado e aprimorado, todavia, a autarquia sempre saiu diretamente da algibeira do Planalto para contentar um cacique político, estadual ou nacional, talvez por isso a economia do Amazonas está sempre em estado de alerta máximo, por vezes em declive acentuado, igualzinho como estamos agora.

Bem, o Lula está de volta ao poder, um metalúrgico que traz agora a missão de refazer o Brasil, reindustrializar, devolver direitos trabalhistas, programas sociais, direcionar a economia para um lugar seguro, pacificando a pátria, exterminando o fascismo que está instalado no país sob a bandeira do patriotismo evangélico.

Por meio do Decreto-Lei nº 288 a Zona Franca de Manaus é definida como um centro industrial, comercial e agropecuário capaz de promover o desenvolvimento econômico e social, local e regional, em face de suas distâncias com os principais centros nacionais e mundiais. Trocando em miúdos potencializar, principalmente o Amazonas e os que aqui vivem e trabalham, potencializando assim o Brasil.

(Valdemir Santana – presidente da CUT-AM)

As décadas de ouro, 1980 e 1990, foram embora e as condições econômicas e sociais na capital da Zona Franca, a esquecida Manaus, desde o princípio desse Modelo Econômico, não se modificaram, o subdesenvolvimento e a favelização imperam, com os benefícios fiscais são subtraídos ano a ano, enquanto a classe política faz festa no melaço e o trabalhador vê escapando pelos dedos seu único meio de sobrevivência.

O centro industrial sobrevive à duras penas, a zona comercial não existe faz tempo e o polo agropecuário não veio e com ele o abastecimento. Não vieram as moradias decentes para quem derramou suor por essa terra, o urbanismo, o saneamento básico, a educação de excelência, a qualidade de vida, um meio de transporte de massa, o esporte, a cultura, o lazer e a segurança de viver em cidade ranqueada sempre entre os maiores PIBs nacionais.

É preciso reinventar a rota do Brasil em direção ao futuro, aquela que já passeamos nela aqui na Paris dos Trópicos, a capital da Borracha e da Zona Franca. A locomotiva do governo Lula tem obrigação de passar pelas engrenagens fincadas pelos trabalhadores do Polo Industrial de Manaus, os que inventaram a roda da industrialização da região, os que deram lucro ao país inteiro.

É hora de devolver a SUFRAMA aos seus donos de origem, libertá-la do clientelismo político para que possa dar novamente dignidade ao povo do Amazonas por meio de um emprego formal, de carteira assinada, no Polo Industrial, fazendo a indústria voltar a crescer, o estado, a região.

Essa receita os trabalhadores sabem melhor do que outrem, portanto, as entidades sindicais, elas que de fato conhecem esses trilhos, devem decidir quem deve ser o novo Superintende da Zona Franca de Manaus. Que o presidente Lula, por sua vocação operária, possa perceber que esse é o único caminho para o PIM voltar a ser grande!

O Brasil e o Amazonas precisam voltar a crescer, tenho dito!

Imagens: Divulgação

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