

Quando estava tudo pronto para o presidente Jair Bolsonaro passar em revista à tropa, depois desfilar pelas ruas de Manaus em sua motocicleta, abraçado pelo seu segurança preferido, eis que surge João Tayah, delegado de polícia, manauara, para tirar o queijo de Sua Excelência.
João entrou com uma ação judicial para impedir a Prefeitura de Manaus de dar apoio logístico à motociata do presidente, o que provavelmente demandaria uso de verba pública.
A peça jurídica do delegado forçou a prefeitura de Manaus a publicar nota de esclarecimento, fez aliados correr atrás da carona e partidos de esquerda se manifestarem na mesma esteira. Mexeu com a sociedade, fez bater a poeira, sair do comodismo.
A atitude de Tayah provavelmente espelharia o Brasil, desmuniciaria Bolsonaro do cartucho mais potente dessa sua campanha eleitoral antecipada.
Então, veio a dor de barriga, providencial, para abafar a ação de João Tayah e o desastre que ela causaria aos planos ditatoriais do presidente, fazendo a sua equipe mudar a estratégia de ataque. Certamente o Brasil iria embarcar no caminho de João Tayah e a motociata iria para as “cucuias”.
O delegado perdeu a ação na justiça, mas deixou o seu legado e o espelho para o Brasil seguir:
“Às vezes perdemos, às vezes ganhamos, mas uma coisa é certa: a luta pela justiça nunca acaba (…) Porque o tema ganhou as principais páginas de todos os portais de notícias de Manaus, mobilizando a opinião pública sobre o assunto. A Prefeitura de Manaus se viu obrigada a elaborar Nota de Esclarecimento, especificando que o apoio dado seria apenas referente à mobilidade urbana. Certamente eles terão mais cuidado no manuseio do dinheiro público. E o assunto foi parar até nas notícias do site do próprio Tribunal de Justiça. Vitória do povo, vitória da democracia. A luta continua!”
João Tayah
Imagem: Márcio Melo / Em Tempo