

Por Thomaz Antonio Barbosa
A rebelião do grupo Wagner, os mercenários de Putin, antes de ser uma sabotagem da OTAN, é o fantasma dos estilhaços das balas que varreram do mapa o Czar Nicolau Romanov e sua família.
A Rússia nunca viveu experiências democráticas, saiu do feudalismo para czarismo e deste para a mais brutal e absurda e desnecessária ditadura de Lenin e seus predecessores.
Quando Putin bombardeia a Ucrânia, ele está preocupado com o seu próprio umbigo. A ameaça que o vizinho representa não vem senão da CONTAMINAÇÃO CULTURAL do ocidente, o que levaria a contrarrevolução russa, o desejo democrático que o país nunca viveu.
Assim sendo, Putin busca, ao bombardear a Ucrânia, amedrontar primeiramente o seu povo, depois minar o vizinho de qualquer aproximação democrática, onde ele é o alvo e a história do czar se repete.
Exatamente, Putin lança mão de todas as suas forças para livrar o próprio pescoço da derrocada, todavia, agindo assim ele encurta a sua trajetória e o aproxima da inevitável forca da democracia.
O cidadão russo também quer desfrutar do direito à liberdade de se manifestar, de beijar na boca em público, seja homem/mulher, homem/homem, mulher/mulher; querem a Lei Maria da Penha, ou, puro e simplesmente uma Internet livre.
Contaminação Cultural é isso, um desejo que nos invade, que processamos internamente, e que a partir dele produzimos reações. Está ligado à herança genética e social, um sentimento que dele ninguém se livra e que uma hora ou outra vem à tona.
Nesse contexto a Ucrânia é a porta aberta para a OTAN promover a “primavera russa”, Putin tentando se antecipar, mordeu a isca, seja, o gatilho. Está envolvido até os dentes em uma guerra que ele sabe que perdeu desde antes mesmo de disparar o primeiro tiro.
A guerra trocou de modalidade, portanto, a estratégia é outra, o cinturão bélico ficou lá pelos idos anos 1947.
Portanto, não será a Ucrânia ou a OTAN que irá desfilar com a cabeça de Putin na bandeja, será sim o povo russo. O grupo Wagner prepara o cadafalso, quem será o carrasco?
…. Liberdade ninguém segura, a democracia é inevitável.
Imagem: Stringer/Reuteres