
O ocaso de um artista que abraçou o fascismo
Por Lúcio Carril *
"Nunca amou os Beatles e os Rolling Stones, mas se fez artista".
Com sandálias havaianas, calça jeans desbotada e cabelos soltos ao vento perambulava pelas ruas da cidade carregando seu violão Gianinni. Chamava atenção aquele homem de estatura mediana e estilo ripongo.
Nunca falou, mas deve ter sido influenciado pelo movimento hippie dos anos 60, quando a juventude se rebelou contra o conservadorismo dominante. Pelo menos se vestia no mesmo estilo rebelde, despojado e desafiador.
E assim fez seu nome como artista. Construiu amigos e amigas, teve mulheres, filhos e filhas. Era boa pessoa, carinhoso, atencioso.
O tempo passou. Ficou velho. Os cabelos maltratados não mais voavam ao vento. Já não andava mais com seu violão - velho parceiro, como ele costuma di...