A nossa resistência
Por Lúcio Carril
Nunca tive heróis.
Só tive tempo de pensar na revolução. Quando era tempo de errar, resolvi sonhar; quando me cobraram trabalhar, militei; quando quiseram que eu parasse, já era tarde.
Não tive tempo de ter heróis, só utopias do possível fazer.
O tempo não me consumiu, pois não fiquei parado.
Lutei, tripudiei, ofendi com a ofensiva daquele que ainda não conheceu a vitória. Perdi, perdi, perdi muito, mas ninguém pode falar das minhas derrotas. Elas não foram minhas, de herói solitário, foram derrotas do mundo - esta metáfora que se perde entre substantivos e coletivos.
A militância começou cedo.
Com Gorki, conheci Mãe; com Zé Lins do Rego, fui capitão Vitorino; já com Prestes, conheci a vida; de Lamarca, o exemplo da resistência.
Sempre foram reais,...













