

Por Luiz Carlos Marques
A política é, em síntese, tudo que envolve a cidade, a Pólis, daí política. Na antiguidade os conflitos envolviam grandes famílias e as populações dos campos e das cidades e, quando estes conflitos se tornaram incontornáveis, as partes envolvidas apelavam para personagens de sabedoria reputada e seu desinteresse para mediar e resolver os conflitos. Foi o que ocorreu em Atena, onde Dracón e Sólon foram encarregados de enunciar os princípios ordenadores das relações entre os membros da coletividade. O resultado foi o surgimento das Leis, deixando claro o papel de cada um na defesa da cidade. Este resumo histórico deveria nos ensinar ainda hoje.
Vivemos dentro dos partidos políticos de esquerda a mesma situação da Grécia Antiga; uma luta entre os senhores feudal e as populações que estes dizem defender. No plano nacional, criou-se um imbróglio com relação a quem pode representar o povo, neste momento, contra um projeto ultradireitista. Não fazem uma verdadeira análise da conjuntura global para se entender o local. É de fazer rir as análises que são feitas em alguns partidos que mais parece uma patuscada em mesa de bar. Apesar disso, o sol começa a raiar em alguns setores à esquerda.
Em São Paulo, Boulos tomou a decisão mais sensata que se espera de um agente público. Retirou a sua candidatura de Governo e vai fortalecer a esquerda e o PSOL na câmara federal, com o compromisso de ser apoiado para a Prefeitura. Boulos sabe seu papel. Sabe o que ele e o PSOL representam. Enquanto isso, em alguns lugares em que a esquerda é quase inexistente, insiste-se na teoria de que os senhores feudais detêm o poder de decidir entre a vida e a morte de seus súditos.
Apesar de estarmos distantes, temporal e geograficamente da Grécia Antiga, necessitamos urgentemente apelar para alguém de reputação e sabedoria e com interesse republicano, um sensato, ou, para a consciência individual de alguns dirigentes de partidos, para acabar ou minimizas as guerras existentes dentro dos partidos.
Enquanto a política for feita com o ego e não com a razão, não haverá avanços. O que a maioria dos estados já compreendeu e alguns estados do norte não conseguem ou não querem enxergar, é que onde o partido não existe, é preciso dar-lhe vida. Não é um paradoxo crescer ou permanecer estanque. Crescer é buscar o poder. Estacionar é ignorância. Lembrando que todo Partido, desde que saiba o seu papel, busca o poder, o resto não passa de sofisma. Isto é POLÍTICA, este é o legado dos Gregos Antigos.
Fazer política é participar da vida da cidade e não de uma pequena parte. Viver em bolhas nos deturpa a visão. Precisamos romper a bolha em que vivemos sob pena de morrermos sufocado nela.
*Luiz Carlos Marques é sociólogo, comentarista político e ex-vereador da cidade de Manaus.