Conversa com Thomaz

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Anne Moura, a nova face da esquerda no Amazonas!

No decorrer da semana veio a notícia de que ela estava declinando da possibilidade de ser candidata a vice-governadora em uma possível com MDB. Fazendo parte da direção nacional do Partido dos Trabalhadores, Anne Moura chega quebrando paradigmas, é a Secretária mais jovem a ser eleita no PT, na época com trinta anos, lhe pesando ainda sobre os ombros o fato de ser de outra região que não a sudeste.

Anne Moura (ANNE) é a PERSONALIDADE desta semana do site conversacomthomaz.com (CCT). Pelo que representa, tivemos a honra de recebê-la para uma conversa informal em nossa redação. Pré-candidata a Deputada Federal pelo PT do Amazonas, ela falou de seu trabalho na Secretaria Nacional de Mulheres do partido, fez um análise do momento que vive o país, destacando, claro, as eleições de 2022.

Com seu jeito amazônida de lutar, Anne Moura organizou a Comunicação das mulheres do PT, criou o projeto “elas por elas”, de formação política para o gênero, potencializando uma rede de comunicadoras populares, para que tudo o que for produzido nacionalmente chegue a todos os estados, se estendendo por meio de redes locais. No Amazonas ela desenvolve um extenso trabalho de ativismo e militância política no campo de esquerda em todo o estado.

Leia a seguir a íntegra da entrevista:

CCT: Como está sendo o desafio de organizar a Secretaria de Comunicação das Mulheres do PT?

ANNE: Até 2017 a Secretaria de Mulheres não tinha página nas redes sociais, nós não tínhamos nenhuma estratégia de comunicação social, as pautas das mulheres a gente não conseguia comunicar. Você percebe que o nosso governo fez o “Bolsa Família”, o “Minha Casa, Minha Vida”, tudo em nome das mulheres, embora a gente tivesse a elegido a primeira presidenta da República, portanto esse desafio é nosso!

CCT: Então, você se propõe a disputar uma vaga de Deputada Federal em um partido que não estava se comunicando com seus militantes. Como que vocês vão fazer para se comunicar com todo o transcorrer da pirâmide, base ao topo, onde é perceptível, que a Esquerda, em termos de mídias sociais, está muito atrás da direita, do grupo que está no poder?

ANNE: Esse é um processo que a gente está se atualizando, considerando que podemos está alguns passos atrás. A pandemia também trouxe quase que uma obrigação se atualizar, a entrada nas redes sociais, esse mundo virtual, como a gente se utiliza dessas redes de contato e que outras gerações já utilizam muito bem. O desafio é como é que a gente vai comunica na ponta. Então a ideia da criação de comitês agora, em torno de cinco mil deles, é para que a gente tenha uma base já consolidada, se comunicando, para que a gente consiga tirar essa diferença. Na eleição do Haddad, com o Lula em primeiro lugar nas pesquisas, mas impedido de ser candidato, a gente tinha muita dificuldade de dizer porque defendia o Lula inocente e também porque queria o Lula livre, diante de uma imprensa vinte e quatro horas falando, batendo. E na eleição já, no meio da campanha, começou uma mobilização do “vira voto”, as pessoas foram com suas banquinhas para as praças e começaram a dialogar sobre política. Eu acho que tem a estratégia de redes sociais, de como você ocupa isso, mas tem a nossa, que não é a tradicional que fizemos nos anos oitenta, mas é uma outra forma comunicar e também militando, eu acho que é isso que vai fazer o diferencial.

“O Lula, a essência dele é essa, é o sindical, a luta dos trabalhadores e trabalhadoras, os menos favorecidos“.

Anne Moura, pré-candidata a Deputada Federal pelo PT-AM

CCT: Durante esse período de governo Bolsonaro tem se percebido que parte da população brasileiro optou para o que chamamos de rupturas democráticas. Como você alia essa questão do Brasil, de repente, se apaixonar por um discurso avesso a tudo que o país tem produzido em termos de democracia, contrário ao sistema eleitoral, ao Judiciário, ao Legislativo e coloca todo o poder na boca de uma pessoa? Como é que o PT tá convivendo com esse “barulho” e o que está fazendo para mudar esse cenário que se passa na mente de muitas pessoas, que é delírio de muita gente?

ANNE: Uma coisa interessante que a eleição de Bolsonaro trouxe foi a constatação que existe um grupo na sociedade que tem essas opiniões radicais, eles permanecem com uma porcentagem significativa, tendo ao seu favor a defesa do próprio presidente, na perspectiva de defender o regime militar, a volta da ditadura, não defender LGBTs, negros e negras. A impressão que passa é isso não existia antes, mas estava aqui…

CCT: Então, Bolsonaro deu voz a um grupo que estava amortecido?

ANNE: Sempre viveu da exploração, mas ali no subterrâneo da sociedade, com esse pensamento. Nosso país é um país racista, lgbtfóbico, machista e uma série de direitos… É só você ver onde estão as classes sociais, onde elas se organizam, onde elas estão que existe ali uma margem que defende isso. A história do filho do pobre andar de avião, do filho da empregada, do pedreiro, etc., são lógicas que a partir do nosso governo a gente tentou equilibrar. Por isso quando vem o Bolsonaro que fala para esse público ele se sente à vontade para aparecer e defender. A gente não pode subestimar esse eleitor.

Uma coisa interessante que a eleição de Bolsonaro trouxe foi a constatação que existe um grupo na sociedade que tem essas opiniões radicais, eles permanecem com uma porcentagem significativa, tendo ao seu favor a defesa do próprio presidente, na perspectiva de defender o regime militar, a volta da ditadura, não defender LGBTs, negros e negras. A impressão que passa é que isso não existia antes, mas estava aqui

Anne moura

CCT: O presidente Bolsonaro logo que assumiu extinguiu o Ministério do Trabalho e foi destruindo todo o aparato de defesa dos trabalhadores, exatamente onde o PT teve força. Como é que o que teu partido vai rebater esse ataque, tem alguma coisa pensada ou fica para depois que vencer a eleição a reação contrária a tudo isso?

ANNE: A gente já tem discutido a revogação de alguns decretos que o Bolsonaro fez. Esse governo foi eleito sem programa nenhum, ele serve ao grande capital. Basta você ver os dados da pandemia para saber quem foi que de fato lucrou. Os trabalhadores que tinham o pouco direito, ainda com a carteira de trabalho assinada, esse mínimo de dignidade foi destruído, portanto, trabalho precarizado é o que sobrevive no Brasil de hoje. Para o patrão isso é bom, ele continua enriquecendo. O Lula, a essência dele é essa, é o sindical, a luta dos trabalhadores e trabalhadoras, os menos favorecidos. Nós vamos pegar um país totalmente destruído, por isso que a nossa plataforma é reconstruir o Brasil, porque ele vai precisar mesmo ser reconstruído, não somente do ponto de vista da presença do estado, mas dos direitos como um todo, também do próprio governo, a figura do estado em si, para que se possa garantir os direitos dos trabalhadores, isso está ligado diretamente à economia, pois a destruição é enorme desse governo na vida do povo brasileiro.

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