Conversa com Thomaz

quinta-feira, 18 de abril de 2024

Bete Morais, a escritora que tem a alma da Amazônia

“Voar não é coisa simples para quem está aprendendo a caminhar, mas eu estava sempre voando. Tanto que as vezes até esquecia que era gente”

Bete Morais


Esta frase tão simples, tão certa e tão penetrante, poderia resumir ou universalizar a alma de uma mulher que, como um pássaro, nos convida a voar por meio de sua literatura. Não são as suas memórias descritas, tão pouco sua autobiografia, todavia, em Yandé Anga ela consegue descrever a imagem, a forma a cor e a espiritualidade do Rio Negro.

Falo de Bete Morais, uma escritora amazonense, do município de São Gabriel da Cachoeira, da etnia dessana, formada em Teatro pelo Centro de Artes da Universidade Federal do Amazonas – Ufam, bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Matogrosso do Sul, que está lançando o seu primeiro livro, Yandé Anga – Contos do Rio Negro, editora Pitombas, de São Luís do Maranhão.

Bete Morais, apresentando seu livro Yandé Anga

Ela é a personalidade que recebi na redação do http://conversacomthomaz.com para conversar sobre livros, sonhos, magia e cultural tradicional. Ela me disse que sua trajetória de escritora tem início aos 10 anos de idade “escrevendo e guardando”; que fez músicas desde a época da escola, porém a partir de 2009 passou a escrever contos, boa parte ainda inéditos, como Malu, Tucanos, A Flor da Noite.

Bete Morais é dessas pessoas que encantam e ao mesmo tempo assustam. E não é só isso, ela se expressa com a facilidade de quem tem muito o que falar, um legado de seu povo, tradições que rimam a natureza com a vida da gente. Ela cresce com o que diz, se transforma de uma menina indefesa em uma divindade da floresta, com suas palavras e sua energia.

A escritora lendo sua obra

Quando perguntada sobre o que seu livro nos traz sua resposta é rápida “são três histórias inspiradas na minha casa, na cultura tradicional, tucano e dessana, meu avô e minha avó”.

Yandé Anga – Contos do Rio Negro, segundo Bete Moras, “na primeira história, Oeywa, que significa libélula, na língua tucano, conta a iniciação espiritual dentro da cultura tradicional do alto Rio Negro. A segunda, chama-se Para Onde Vão As Nossas Memorias, o personagem principal é o meu avô. Nela falo um pouco da percepção, do que significava a vida para ele, sua relação com a natureza. A terceira, Que Pássaro É Esse Que Há Dentro De Ti, vem de mim, eu sou apaixonada por pássaros. É o relato de uma travessia, do personagem João, vivendo o conflito da interferência da religião cristã no seu mundo”.

Ao falar sobre o seu processo criativo ela é ainda mais dilacerante: “É muito louco, a minha casa é um lugar incrível, é uma ilha no meio do rio, parece que está grudada no céu. A minha infância inteira foi em contato com a natureza, aquele lugar, a minha relação com os animais, o que eu aprendi com meu avô. Portanto, tudo na minha vida contribui para a formação do meu imaginário literário”.

E como ela mesma se descreve em um dos trechos de seu livro “eu, de alguma forma, estava em dois lugares ao mesmo tempo”, além da literatura Bete faz consultorias e também realiza uma oficina de percepção corporal e voz, voltada para a área de educação. Um trabalho que nasceu em Matogrosso do Sul e que pretende levar para sua cidade, para os professores de São Gabriel da Cachoeira.

Com o livreiro Celestino Neto, do sebo o Alienista.

A surpreendente Bete Morais realiza manhã de autógrafos neste domingo, 20/06, no sebo o Alienista, na avenida Eduardo Ribeiro, no centro de Manaus, no espaço da feira de artesanatos.

Imagens: conversacomthomaz.com

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