Conversa com Thomaz

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Meia volta, volver!!!

(Pedro Ladeira / Folhapress)

Por Lúcio Carril*

Subo no pé de sumaumeira. Já no cume enxugo os olhos molhados pela intensa chuva do inverno amazônico, avisto o planalto central e vejo pequenos contingentes de militares marchando rumo aos quartéis. Chego a lembrar daquela musiquinha quando eu era criança: marcha soldado cabeça de papel…

Eles passaram de 11 mil durante o trágico governo Bolsonaro, distribuídos por todos ministérios, em cargos de primeiro, segundo e terceiro escalões e estatais. Dos 23 ministérios, ocuparam 11 pastas. Se embrenharam em todos os órgãos do meio ambiente, na Funai e no Incra. A saúde foi usada como casamata, com o general Pazuello a disparar sua metralhadora contra o povo contaminado pelo coranavírus.

Teve até mesmo um cangaceiro por nome Heleno  assumindo um gabinete no palácio do planalto.

Durante 4 anos os militares dividiram a responsabilidade de uma gestão nefasta no Brasil. Foram cúmplices de um capitão-terrorista escorraçado para a reserva por planejar atentados dentro dos quartéis e feito presidente pela ganância de uma elite que só pensa em ganhar dinheiro.

Os militares brasileiros nunca deram bom exemplo de nada. Desde a proclamação da república que se masturbam pensando em golpe. Odeiam a democracia e vivem sob a sombra de um inimigo imaginário, coisa de adulto que acredita em fantasma e transa com boneca inflável.

Agora chegou a hora da volta aos quartéis. Amanhã Lula vai enquadrar a turba. Vai lembrar o generalato que as forças armadas têm deveres constitucionais e se militares querem entrar na política devem deixar a farda. O poder político é civil.

Com raríssimas exceções, os militares brasileiros nunca foram exemplo de nacionalismo. Assim como seu capitão-fascista, batem continência para o Tio Sam e seguem suas ordens. E a ordem do imperador agora não é a mesma de 1964. Não tem fuzil nem tanques, só viagras, biscoitos e muito leite condensado para lambuzar o bucho estufado pelo ócio improdutivo.

*Lúcio Carril é Sociólogo

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