A classe média nas esquinas

Por Luiz Carlos Marques*

Quando a gasolina, no Brasil, variava entre 2,80 reais, explodia raivosa uma turba arruaceira a gritar que o povo brasileiro estava sendo roubado. A culpa era da presidente Dilma Roussef que permitia que a Petrobras aumentasse os preços. Protestos eram vistos em todo o país transmitido simultaneamente pelos canais de tv, liderados pela Rede Globo.

De forma clara, a Rede Globo defendia que os preços dos combustíveis eram artificiais, ou seja, era mantidos baixos devido a uma política do governo. Viviamos uma incoerência. Dizia-se ao povo que os preços eram altíssemos e, aos empresários, que eram baixíssimos.

Naquela época, 2016, o gás de cozinha era de 43 reais e70 centavos. Menos de um ano depois, no governo Temer, pulou para 80 reais, tudo como manda o mercado internacinal. Mas, como o gás de cozinha atinge em cheio as pessoas de baixa renda, a classe média calou a boca, fingia que tudo ía bem.

Os preços dos combustíveis passaram a acompanhar o mercado internacional, e com a desvalorização do real, e a desastrosa política do governo Bolsonaro, explodiram e, hoje, ameaça ultrapassar os 5 reais

A classe média já não consegue disfarçar o mal-estar em que se meteu. Suas idas para os EUA e Europa passaram a ficar em segundo plano. É preciso sobreviver. Comida ao inves de passeios e coisas supérfluas.

A dicotomia entre os impulso da classe média e o que a sociedade atual permite fazer está levando alguns jovens, “de boa aperencia”, as ruas, para expor, sem que eles mesmos saibam, sua situação social em decadência. Em Manaus, estão a adesivar carros nas esquinas das ruas, entre os mendigos, e artistas de rua, pedindo apoio para reduzir o preço da gasolina.

Mais uma vez o gás está fora do pleito.
Po isso, podemos dizer que eles estão só, sem o apoio necessário dos meios de comunicação, que atende as elites, para mobilizar o povão para a sua causa. É sabido que a classe média se aproxima do “povão”quando está em decadência. Já quando sua situação melhora, é à classe mais alta que eles buscam.

Irão continuar sozinhos, pois o seu alvo está errado. Não é o preço da gasolina que está alto, mas toda cadeia produtiva de petróleo; gasolina, dieesel, gás de cozinha e etc.

Portanto, a responsabilidade é do governo Bolsonaro e não do governo do estado.
Talvez a classe média compreenda agora que foi enganada com o golpe dado em Dilma Roussef. Que a vitória das elites foi ao mesmo tempo a derrota da classe média. Deixar os carros nas garagens ou se alimentar mal, eis a questão.

Bons tempos quando a gasolina era 2 reis e 70 centavos. Se aprenderão a lição, só o tempo dirá.

*Luiz Carlos Marques é sociólogo, com pos graduação em Pesquisas Educacionais.

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