Conversa com Thomaz

Futebol arte, a verdadeira face da independência do Brasil

A receita de um gol de placa é um craque com a bola nos pés e o outro embaixo da trave, no detalhe Everton Ribeiro e Felipe Alves (Imagem: Canal Zico)

Por Thomaz Antonio Barbosa

E se o Brasil não tivesse vencido a copa de 58 não seriamos o que somos, o país não teria sequer o status da Etiópia ou do Sudão. Não passaríamos de uma ilha selvagem, no meio do Atlântico, repleta de coronéis, militares gananciosos, um paraíso de piratas, exploradores e mulheres bonitas prontas para saciar a lascívia do forasteiro.

Não adiantaria o ouro, o cobre, o petróleo e a cana-de-açúcar, pois a terra Brasil seria conhecida por suas mazelas, linda por natureza, porém miserável em plenitude. Aí surge a bola e unifica a pátria, com ela o Pelé, o Garrincha, o Zico e o Everton Ribeiro para dizer por que somos maiores naquilo que somos.

Pelos pés, mãos, peito, joelho e cabeça dos nossos craques nos tornamos um país, de fato grande, de fato belo, de fato único. Se um meteoro cair sobre o planeta e soterrar a nossa civilização o homem do futuro irá escavar os escombros do continente e se achar um deus negro pisando sobre o mundo, não saberá ele que se trata somente do Pelé dominado a bola.

Alguém nessa loucura antropológica iria pensar que o Maracanã se tratava de um altar de sacrifícios aos deuses, e era. E que o Brasil fosse um país de divindades humanas, e somos. A riqueza arqueológica estará aqui, construída sobre os gramados, sob o suor de nossos ídolos, os filhos da pátria, das diversas origens, dos mais diversos sonhos.

Depois de 1958 veio 1962, o bi; o tri, trouxemos em 1970; o tetra, em 1994, e o penta conquistamos em 2002, com dois gols de Ronaldo – do panteão sagrado – na final contra a Alemanha, humilhamos primeiro!

Não há dor que se não console, não há esperança que não se renove, o orgulho dos brasileiros está nos pés de seus filhos, na ponta da chuteira, na coragem de vencer o medo, no talento de subjugar a fome com maestria, e com dignidade vencer, vencer, vencer!

O futebol brasileiro é o maior símbolo de nossa independência, os atletas, as nossas divindades. Merecem o que ganham, a nossa reverência, um lugar de honra na posteridade. Ninguém passará impune pelos escombros da nossa civilização sem saber que o Brasil foi a maior potencia na arte dos gramados.

…Viva a independência do Brasil, guardem seus canhões, nós temos a bola!

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