

A declaração é de Ana Laura Cassamissimo Ribas, de 23 anos, que quando se formou há pouco mais de um ano no curso de enfermagem não imaginava que iria enfrentar uma pandemia com mortes logo no início de sua carreira.
A jovem trabalha no setor de Covid-19 na Santa Casa de Sorocaba. Ela relata que lidar com o coronavírus é diferente de tudo que aprendeu na faculdade e de tudo que já havia vivenciado como profissional.
“Nenhuma faculdade prepara os profissionais para lidar com esse tipo de coisa. Ninguém estava preparado para isso. É uma coisa que ninguém imaginava passar. Já tivemos H1N1, dengue, mas uma coisa dessas ninguém estava preparado para lidar. A Covid-19 é totalmente diferente. Tudo. Até a entubação é outra técnica. Uma parada cardíaca a gente tem que agir de outro jeito”, diz a enfermeira.
Ana Laura explicou que os profissionais da unidade receberam um treinamento, no início da pandemia, para saber lidar com a doença. Para dar conta de tanto trabalho, as equipes, que antes trabalhavam seis horas por dia, dobraram o horário e têm uma carga horária de 12 horas.
Com o aumento no número de casos, uma das maiores dificuldades dos profissionais, segundo Ana Laura, é a taxa de ocupação dos leitos para pacientes com Covid-19.
“É assustador. A gente não imaginou que ia precisar de 40 leitos de UTI, que é o que temos hoje. Todos os dias, todos estão ocupados. Isso atrapalha nossa luta, porque ao mesmo tempo que a gente está dando uma alta, a gente está admitindo um novo paciente”.
Para a jovem, o maior desafio na batalha contra o coronavírus são as mortes dos pacientes. Além disso, ela afirma que é muito doloroso ter que dar a notícia para as famílias.
“Lidar com as mortes dos pacientes, para mim, é o mais difícil. Sempre foi. Até antes da Covid. Mas depois é tudo mais intenso, mais complicado. Por mais que não seja um ente querido seu, você está ali prestando um cuidado diário. O mais difícil é pensar que não existe uma família por perto”, diz.
Fonte: G1
Leia a matéria completa: