

Por Lúcio Carril
Lula passou 580 dias preso, vítima do maior _lawfare_ da nossa história.
Candidato em primeiro lugar nas pesquisas para a eleição presidencial de 2018, foi preso e tirado do pleito numa armação jurídica do então juiz Sérgio Moro com uma quadrilha do Ministério Público Federal do Paraná.
O juiz Moro não fez uso ilegítimo da lei por uma questão ideológica ou na busca por justiça. O fez por uma ambição pessoal, que era de chegar ao cargo de ministro da Suprema Corte. Fez o diabo para alcançar seu objetivo, levando o Brasil a uma condição de pária internacional e o seu povo a sofrer o pior governo da história.
Moro, Deltan _et caterva_formaram uma quadrilha criminosa contra o estado de direito para fins pessoais.
Deltan tinha em mira o desvio de 3 bilhões de reais da Petrobras. Chegou a iniciar a criação da fundação lavajato para colocar as mãos no dinheiro expatriado do EUA para a empresa. O ministro Gilmar Mendes descobriu a armação e abortou a ação criminosa.
Moro criou uma fixação pelo cargo de ministro do STF. Sabia que não seria alçado à Suprema Corte por conhecimento jurídico – o ex-juiz sequer domina a língua-pátria – então partiu para o _lawfare_, o uso do direito como instrumento de manobra política.
Prendeu Lula por 580 dias, o tirando da eleição presidencial e garantindo a vitória de Bolsonaro. O acordo, certamente, era do presidente eleito indicá-lo para ministro do STF.
Bolsonaro cumpriu o primeiro passo do contrato: nomeou Moro para ministro da justiça. Mas começou a desconfiar do aliado. Não era gente que podia caminhar ao seu lado. Se fez com Lula, poderia fazer com qualquer outro. Seguiu a máxima: nunca confie num traidor.
Final da história: Moro saiu do Ministério da Justiça atirando contra Bolsonaro. Seu sonho de ir para o STF se esvaia que nem água pelas mãos.
Em seguida, um hacker, Walter Delgatti, revelou toda armação criminosa por trás da lavajato.
A saída de Moro e Deltan foi procurar um mandato que servisse de habeas corpus preventivo contra os crimes que cometeram. Um virou senador e o outro, deputado federal.
Mas diria Pablo Neruda no seu poema Os Comunistas, a primavera é inexorável.
Lula foi declarado inocente pela Suprema Corte brasileira e foi eleito presidente da república pela terceira vez.
Zanin, advogado que defendeu Lula e denunciou o _lawfare_ contra seu cliente ao mundo, inclusive às Nações Unidas e à Corte de Haia, foi aprovado esta semana para ministro do STF.
Deltan foi cassado pela Lei da Ficha Limpa. Ou seja, ele foi condenado por ser ficha suja.
Moro é um pária dentro do senado e pode ser cassado ainda este ano, por fraudar sua prestação de contas eleitoral. Da sua cadeira, viu Zanin ser indicado por 58×18 dos senadores. Era o sonho de um bandido se configurando na imagem de um jurista e homem de bem.
Mas a história não acabou. Ainda este mês o traste genocida se tornará inelegível por oito anos e não tardará para toda quadrilha ir para a cadeia e pagar por seus crimes.
Venceu a democracia e o estado de direito democrático.
Lúcio Carril
Sociólogo
Imagem: gettyimages
