

“Dona Didita pegue a vassourinha,
Santa medicina é a fé”*
Os violões, as vozes, os acordes melodiosos silenciaram, reverenciando sua ida. O cantor, compositor e violonista brasileiro Wander Andrade não está mais entre nós.
Com a honra de nascer em Óbidos, morar em Santarém e representar toda a Amazônia, o professor Wander Andrade não é vítima de si mesmo, todavia é da incompreensão insana daquilo que nunca poderemos ser: donos de nós!
Em cada semibreve, cada compasso da vida reside a poesia da alma do homem. Essa é a dádiva de ser poeta, poder retratar tudo o que poderíamos ser, acaso não fossemos humanos, findavéis.
Não morre com o homem o seu legado. Wander se foi por suas mãos, por seu arbítrio, mas nunca poderá levar consigo o encanto da sua lira, nela contém um pouco de cada um de nós, caboclos súditos das águas, das matas, das canções.
Não é a depressão que vai calar Wander Andrade, não é a dor de um país que agoniza que vai calar seus filhos.
Renasceremos todos juntos, festejaremos sua obra sempre, embora tristes por sua partida.
*Mulheres que Benzem, Wander Andrade e Milton Moda
Imagem: JB