

Paulista de Itirapina, o politico Ulysses Silveira Guimarães, se estivesse vivo hoje estaria completando 104 anos de vida. De tudo o que fez, sua trajetória foi marcada pela resistência ao regime militar, e a presidência da Assembleia Nacional Constituinte, 1987-1988, que trouxe à luz a Constituição Federal do Brasil, em 05 de outubro de 1988. Na véspera do seu aniversário, ele presenteou o país com as garantias constitucionais daquela que ele chamou de “Constituição Cidadã”.
Para o sociólogo #Ademir Ramos “Foi muito importante na luta pela democracia, na eleição do Tancredo, e na articulação da posse do presidente Sarney. Vejamos: o Ulisses está presente na “distensão”, como foi apelidado o processo lento, gradual e segura de retorno da democracia, no governo Geisel; na abertura política, no período de João Figueiredo, e na redemocratização do país que culmina com a Constituição de 1988”.
O sociólogo explica que “no caso da morte e sucessão do Tancredo, como era possível ter vice se o titular não havia assumido? Então os militares, por meio do general Silvio Frota, queriam inviabilizar a posse do Sarney, a presidência para um civil. Então o Ulisses Guimarães entrou na conversa e foi o grande articulador do processo. Portanto, ele está presente em todos esses momentos da nossa história”, explicou Ademir Ramos.
O sindicalista e dirigente partidário, #Elson Melo, também reitera que “Ulisses Guimarães não é importante somente na Constituinte, mas na redemocratização do Brasil, desde quando ele aceitou ser o anticandidato, em 1973, percorrendo o Brasil inteiro, forçando os militares debaterem as eleições diretas, até o seu desaparecimento nas águas de Angra dos Reis. Na Constituinte ele foi fundamental, primeiro pela capacidade de diálogo e da confiança que gozava de todas as correntes politicas, que tinham nele uma referência no processo democrático. Portanto, Ulisses construí o que ele chamou e batizou de Constituição Cidadã”.
O sindicalista ainda fez um adendo sobre a situação política atual: “Só para registrar que a Constituição Cidadã não existe mais, pois com a reforma da previdência e a trabalhista, ela acabou, deixou de ser cidadão, voltando a ter forte apelo escravista, com foi na época do império”, alfineta Elson Melo.
O anticandidato
Em virtude da eleição ser indireta naquele período, e o Colégio Eleitoral ser composto em sua maioria por parlamentares da ARENA, o partido do governo, que votaria, invariavelmente, em um general indicado pela cúpula militar, Ulysses Guimarães foi lançado “anticandidato” à Presidência da República em convenção realizada no dia 4 de setembro de 1973. O candidato “Dr. Ulysses”, como era chamado, conduziu uma campanha nas ruas, para perplexidade dos militares e delírio do povo. Entretanto, quem governou o Brasil a partir de 1974 foi Ernesto Geisel.